Terça-feira, 25 de Agosto de 2009
No Reino do Mickey
Se não fui à Disneylândia na infância, se não fui na adolescência, aos trinta não escapei. Levada pelos sonhos da minha pequenota, lá rumei para os arredores de Paris, para viver a fantasia do mundo Disney. Um encanto para todas as idades, mesmo para os crescidos que viajam no tempo, esquecendo que já não são tão crianças assim... No universo daquele mundo de fantasia somos todos iguais. Adultos e crianças correm igualmente para os corrocéis. Os pais desculpam-se que só estão alí para realizarem os sonhos dos seus filhotes, mas a euforia é quase a mesma. Não há ninguém que não queira disputar um lugar de destaque para ver passar a parada e cada vez que aparece o Mickey, a Minee ou o Pateta, é de lei que seja pelo menos um par de fotos, uma com a criança e outra com a família reunida.
Nos parques Disney, nossas cabeças de esvaziam de qualquer problema e todos os nossos pensamentos têm orelhas pretas e mãos brancas. Não cabe mais nada, se não isso.
No fim do dia não se ouve ninguém reclamar do cansaço...é claro que ele é notório, mas ninguém se pronuncia... Os meninos são piratas e patetas, as meninas, exaustas, ainda ostentam seus trajes de princesas, algumas já carregadas em carrinhos com a chupeta na boca. É chegar ao hotel, tomar um banho, encarar o buffet, previamente reservado e recarregar forças para o dia seguinte, pois ainda ficou muito por ver.
Pelo menos no último dia é inevitável assistir à parada noturna, com os carros todos iluminados e as personagens todas em desfile. Impagável o olhar ternurento das crianças e de alguns adultos...
No Verão europeu, os termômetros de Paris ultrapassavam os trinta graus e as filas para cada atração nunca ficavam por menos de trinta minutos de espera. Não presenciei nenhuma discussão, nem niguém a soprar como é normal numa fila de banco ou repartição. Para ver o Mickey vale tudo, e quando a sede aperta, nada como uma garrafinha de l'eau pela módica quantia de dois euros e meio. Se fose água....seria cara, mas é eau....
Terça-feira, 26 de Maio de 2009
Modernices...
Quando tudo parece não ter graça, supercifical, artificial, de plástico, vem uma angústia muito grande, combinada com um sentimento de que as coisas de outrora parecem que não vão voltar mais. Onde raio param alguns cheiros, os gracejos descomprometidos, a alegria de viver a despreocupação com o dinheiro e com a casa? Tenho que dizer que essa coisa de viver hoje na idade dos trinta e ter vivido todos os maiores avanços da modernidade pode ser boa, mas para mim tem um senão…
Saudades, bolas, do tempo em que não precisávamos viver agarrados a um telefone que cabe no bolso das calças e não temos desculpas de não o termos sempre atrelados a nós, como se uma continuação de nós fosse. Antes podíamos desaparecer no mundo, ligar de um telefone público e deixar recado com a vizinha.
Olha que eu até dei luta a essa tal tecnologia, posso me gabar de que não fui das primeiras milhares de pessoas a aderir a tal tecnologia quando ela chegou com força. Uma pessoa agora para ser minimamente normal tem que ter um bicho desses atrelado a si. Que seja. Tenho que admitir que tem horas que até dá jeito, mas outras…
O que mais me perturba ultimamente é não dar vazão as peripécias que esses aparelhos podem fazer e ter que admitir que não utilizo dez por cento das tais capacidades. E eu me pergunto e daí? E para quê tanta coisa? Enquanto isso, e, por mais que eu não vá a nenhuma loja comprar, minha casa é inundada por aparelhómetros de que eu até fujo. Montoeiras de telefones que “já não prestam” só porque se tirou o cartão para enfiar num mais moderno, gps, porta retrato digital. Onde já se viu??? Quando na minha vida eu podia imaginar que um porta retratos digital adentraria minha casa sem permissão. Pára, contento-me com as clássicas molduras. O computador da minha filha fala, e ainda, em inglês e português, dá para aturar? E tem nome. Atende pelo nome de Magalhães. Eu ainda guardo a minha olivette portátil e verde. Quando a adquiri pouco antes dos computadores aparecem nas lojas para o cidadão comum, achei que tinha feito um bom negócio.
Sei que o micro-ondas faz até comida, mas eu contento me em utilizar apenas para aquecer uns pratos e o leite, quando muito para descongelar. Ah, já fiz daquelas pipocas próprias para micro-ondas com sabor a manteiga. Ai, Ai, antes a pipocas pipocavam mesmo era dentro de uma panela e isso já era uma alegria.
Para as crianças de hoje, é tudo mais fácil, elas nem precisam de cursos para mexer nessas coisas, já nascem sabendo. Para quem viveu tempos em que nada disso existia, é um choque. Quase que precisava de umas análises.
Ninguém pára mais para conversar na rua, aquelas conversas ocasionais. Não, agora é tudo por computador, telefone, fazem até vídeo-conferência quando o assunto é muito importante. Bom né? Mais ou menos… ainda lembro que a gente sentava nas calçadas para conversar e às vezes até eram coisas importantes, pelo menos para nós. Eram outros tempos.
É como viver um antes e depois de um bombardeio, no caso, de informações, de regras. Vamos combinar? Tudo mudou e de que maneira, para melhor ou para pior não sei. Tenho minhas reservas, mas agora não há mais nada a fazer, apenas mergulhar nas modernices e todos os dias tentar uma possível adaptação.
Sábado, 23 de Maio de 2009
Salve o livro!
Os livros não servem tão só e apenas para acumularem pó na estante. De vez em quando é preciso ir ao encontro deles. Quem tem o bichinho da leitura, pode até adormecê-lo durante um tempo, mas quando ele acorda vem com fúria devoradora. E em pouco tempo lá vão dois ou três num ápice, como quem come biscoitos. Já li livros de correr ao encontro deles só para saborear mais umas dezenas de páginas.
Outro dia, enquanto guiava o meu carro sozinha por uma estrada, lembrei da minha personagem, e tentei visualizar em que parte do romance eu a tinha mesmo deixado. Então recordei-me que a mocinha estava para construir um banco no jardim. Então imaginei aquilo como se de alguém que conhecesse se tratasse. Depois achei engraçado. Achei engraçado também, embora com a carga triste que isso possa ter, quando recordei automaticamente, que certa vez solicitei a ajuda de uma vizinha para uma limpeza geral na minha casa, depois arrependi-me, claro. O problema é que ela tinha e sabia um lugar sempre melhor para colocar os meus objetos que não onde eu realmente gostava de os ter. Os livros representavam um grande problema para ela. Que tentava escondê-los a toda maneira na parte da estante que fica oculta para quem entra na sala. O curioso é que de fato, os livros que eu leio, se forem interessantes, ficam comigo para sempre e as personagens passam a existir na minha imaginação como pessoas que passam.
Sem querer ficar citando Caetano a toda hora, a leitura: “é como lançar mundos no mundo”. É. Acho que é mesmo isso. Não tenciono escrever um, porque gosto muito deles. A história da vizinha fez-me cantarolar…
“Os livros são objetos transcendentes Mas podemos ama-los do amor táctil Que votamos aos maços de cigarro Domá-los, cultivá-los em aquários, Em estantes, gaiolas, em fogueiras Ou lançá-los para fora das janelas (Talvez isso nos livre de lançarmo-nos)…” Caetano Veloso
Terça-feira, 12 de Maio de 2009
Minhas dores e delícias
Hoje, sem mas nem quê me veio a cabeça uma frase que uma amiga minha costuma usar, que não é dela, mas de alguém que eu também admiro de certa forma: “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”.
É inevitável, quando as coisas não correm tão bem, quando em algum aspecto a nossa vida não está como nós gostaríamos que ela estivesse, lá somos nós tentados a pensar que a vida do outro é melhor do que a nossa. Que o jardim do vizinho tem mais flores. Que para os outros tudo corre bem, que está mais realizado do que nós etc, etc… Eu, particularmente, tento não cair muitas vezes nesse erro, até porque, tal coisa é um passo para se transformar num sentimento que devemos evitar, mas sem desmerecer que o temos dentro de nós, a inveja.
Para mim, a frase que hoje me inspira faz-me pensar mais pelo lado positivo do que pelo negativo, isso mesmo! Dores, todos nós temos, frustrações, inquietações, angustias, enfim. Acontece que, sem querer aqui divagar muito, ou acreditar muito no tal “segredo” que de tanto se fala, acredito realmente que a vida que temos hoje, fomos nós que a construímos, com tudo que ela tem de bom e de mal. Verdade! Considero até que eu provo tal teoria, se assim se pode chamar. O ser humano quando quer uma coisa faz, dê para onde der, aconteça o que acontecer, faz acontecer.
Mas, como já diziam os antigos “não há mal que sempre dure, nem a bem que nunca acabe”. Na realidade, o que queremos é que o mal passe depressa, mas o bem, esse, não temos a menor pressa que acabe.
Desde que o homem é homem que anda atrás dessa tal de felicidade…e mesmo quando parece que a encontra, ela é como um quadro inacabado falta sempre um detalhe, o toque final, aquilo a que damos o valor maior e que ainda não está lá. Se perdêssemos por algum motivo, as imagens principais do quadro, talvez, pensássemos melhor se aquele detalhe tinha assim mesmo tanto valor…e assim não nos perderíamos tanto tempo a pensar no porquê ainda não recebemos aquele sopro de inspiração ou sorte para completarmos o tal detalhe que ainda falta.
Bem, foco-me então nas delícias da vida dessa mulher que não vive sem mentir, como todas as outras, que apesar de ter os seus momentos de cólera, também tem momentos inenarráveis dessa tal felicidade de que tanto se fala…é, nem tudo são espinhos. A gente constrói a tal vida, idealiza e depois ela tem defeitos, tem arestas a serem limadas, mas não é de todo ruim não. Ela tem uma essência boa. Ninguém deseja, nem constrói para si algo que não seja bom, alguns pormenores fogem um pouco ao nosso domínio. Dane-se! Faz parte da vida! Se tudo fosse perfeitinho, tal e qual como nós sonhamos, não tinha a menor graça, não é mesmo???
Sexta-feira, 8 de Maio de 2009
Quanto tempo tem o tempo
Sabem aqueles dias em a gente diz “não”! Chega de não fazer nada, está mais do que na hora de fazer alguma coisa. Cansada, de tanto não fazer nada… há um mês que não dispensava tempo algum a mim mesma. Então sintonizo o rádio descomprometidamente e ligo o computador para ver qualquer coisa que me ocupe a mente sem a sacrificar muito. Atento para o fato de que a minha caixa de correio tem mais de setenta mensagens não lidas, é tempo de dar uma vista de olhos e claro apagar mais de oitenta por cento, mas sem deixar de me encantar com aquelas mais cândidas, de crianças bonitas e que nos falam no valor das amizades e de como temos mais do que aquilo que realmente necessitamos. Isso é bastante estimulante nos dias que correm.
Nem de propósito a rádio teima em tocar apenas músicas de que eu gosto (uma sorte) e a trilha sonora parece embalar este fim de tarde em que finalmente deixei de não fazer nada e tirei um tempo para aquilo que realmente importa.
Então eu penso carinhosamente naquelas amizades que restaram no meio do turbilhão desta vida. Ah, que coisa boa… a música ajuda muito neste flash back. Pois é, o tempo passa, ou melhor, corre, e é impiedoso. Tento fugir daqueles pensamentos que me dão conta de que já tenho uns indícios de rugas por baixo dos olhos. Ai não! Não quero! Penso que a solução poderia passar por comprar um daqueles cremes milagrosos de um laboratório francês qualquer. Mas claro, custam os olhos da cara e a maré não está para peixe. Melhor seria mudar o cabelo. Mas em que isso poderia disfarçar os meus primeiros sinais de envelhecimento. Ninguém merece entrar na casa dos trinta. Muito triste, não dizerem mais que ainda sou uma menina…quando ainda me sinto. Quero colo!!!!!
Bem, talvez seja melhor beber mais uma cerveja e clarear as ideias. Não que esteja calor, muito pelo contrário. Mas teimo em ser teimosa e desafiar aquilo que seria mais óbvio, beber um chocolate quente ou um chá. Então ponho mais uma lenha na minha lareira e termino assim por organizar meus pensamentos neste já início de noite de sábado.